Ontem à noite, em companhia de meu pai, assisti a homenagem feita ao Raul Seixas no programa “Por Toda a Minha Vida”, veiculada pela TV Globo. Quem me conhece de longas datas, sabe que em minha adolescência fui um “raulseixista” de carteirinha. Na época só escutava Raul. Não me interessava e nem fazia questão em ouvir outros artistas.
Radicalismo à parte, este período teve bastante influência em minha formação. Hoje sou bem mais eclético, aprendi a gostar de outros estilos musicais. Mas a minha referência sempre foi e será o Maluco Beleza!
Durante a transmissão do programa, eu e meu velho o assistimos admirados. A emoção em ambos era nítida! Nos intervalos comerciais comentávamos sobre sua veia poética. Em determinado momento, meu pai lembrou do contexto histórico quando surgiu aquela figura exótica no cenário musical brasileiro. Falava da época da ditadura e de suas dificuldades, inclusive financeiras, quando veio tentar a sorte em Goiânia. Foi justamente nessa conjuntura que conheceu e aprendeu a admirar Raul Seixas.
Atento ao programa e ao desabafo de meu pai, meus pensamentos voaram pra um passado não muito distante. Enquanto eu lembrava a minha fase “rebelde sem causa” em minha adolescência, meu pai recordava o seu engajamento político. Enquanto eu relembrava as ilusões vividas nas bebedeiras com os amigos, meu pai relembrava as dificuldades da vida que passou em Goiânia nos inícios dos anos 70. E assim, nessa profusão de lembranças, cada qual imbuído em suas memórias, revivia as lutas, as fantasias, as esperanças, as histórias... Ao fim da homenagem estávamos os dois, lado a lado, pensativos, emudecidos. Um beijo de boa noite em meu pai e os olhos úmidos pelas lágrimas revelavam a emoção de ambos.
Obrigado Maluco Beleza por inspirar-me. Obrigado pelas noites embaladas por suas músicas, pelas boemias vividas com amigos de outrora. Obrigado pela sua irreverência, pela sua poesia. Enfim,
obrigado por fazer parte de minha vida. E, orgulhosamente, onde estiver, eu
sempre pedirei em alto e bom som o célebre pedido: “Toca Raul!”
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